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sábado, 30 de janeiro de 2010

Somos todos haitianos


Como ainda não tenho a "Jangada de Pedra", vou aderir a mais esta campanha da Fundação José Saramago, "porque todos temos uma obrigação".

domingo, 25 de outubro de 2009

Um Pulido nada polido


Vasco Pulido Valente, Público
P.S. Estou para conhecer alguém mais azedo e insuportável que este frustrado. Um pobre coitado que não chega aos calcanhares de Saramago. Mesmo que o despreze desta forma abjecta.

Mais achas para a fogueira


José Saramago dá hoje mais uma entrevista, ao DN Artes, sobre a polémica em que está envolvido depois da publicação de Caim.
A entrevista é longa. As passagens para mim mais significativas foram estas:

As Cruzadas foram qualquer coisa que a Igreja devia pedir perdão! As Cruzadas, imediatamente idealizadas com esse absurdo de avançarem contra os inimigos aos gritos. Que sabem eles de Deus? Fiz essa pergunta a um teólogo há pouco tempo: o que é que sabem de Deus, afinal de contas? Não sabem nada, alguém um dia disse que Deus existe e depois os teólogos não têm feito outra coisa senão armar o andaime para que essa ideia se sustenha.

O facto religioso está aí, não se pode nada contra ele, e quando digo "acabar com as religiões", sou perfeitamente consciente de que isso não é possível. Mas a minha pergunta é esta: se crêem em Deus, crêem em um Deus. Portanto, até mesmo por respeito a ele, porque não se põem de acordo sobre uma palavra, simplesmente: paz? Paz entre as religiões.

(...) a confederação ibérica foi defendida no séc. XIX por muito boa gente como, por exemplo, Antero de Quental.

- Acha que este ataque imediato da Igreja foi uma tentativa de fazer um ensaio sobre a sua "cegueira" religiosa, ao afirmarem que é um livro unilateral?
- Porque é que dizemos cegueira religiosa? É uma cegueira que impede de ver a religião ou é a religião que cega as pessoas?

Tive a ingenuidade de supor que a Igreja Católica não se ia meter nisto, porque era o Antigo Testamento. Como digo, e eles não negam e as sondagens ou inquéritos confirmam, os católicos não lêem a Bíblia.

O que é que eu disse, afinal de contas?! Que na Bíblia há violência, crueldade, incestos e carnificinas? Isso não pode ser negado. Ainda que eu tenha chamado à Bíblia um manual de maus costumes, qualquer um o podia ter feito, porque é, efectivamente, o que é. Tudo quanto é negativo no comportamento humano está ali escrito.

Não nego a possibilidade de uma leitura simbólica [da Bíblia] , ou duas, ou três, ou quatro, ou cinco ou as que quiserem. Mas que as leituras simbólicas e o trabalho da exegese não sirva para fazer de conta que a letra não existe.

Logo na manhã seguinte já estavam todos alvoroçados a atacar-me! Apesar de terem uma experiência de séculos, podiam ser um pouco mais prudentes, mas são como os cãezinhos de Pavlov, reagem imediatamente ao estímulo. É lamentável.

Há que dizer que não invento nada, limito-me a levantar as pedras e ver o que está debaixo. Se acho que uma pedra merecia ser levantada, é, justamente, a do assassínio de Abel. E fi-lo.

(...) eu digo que Deus não é de fiar. O que é que se pode dizer de um Deus que depois de ter prometido a Abraão que se houvesse dez inocentes em Sodoma não queimaria a cidade e a queima? Podemos ter a certeza, qualquer um de nós, pobres seres humanos, que sabia - sem ir contar os inocentes - que havia inocentes: as crianças. Queimadas como os seus pais e mães, e tudo mais. O que é isso? Prometer e não cumprir?

sábado, 24 de outubro de 2009

O padre e o herege


(Nota prèvia: Não li a Bíblia. Não li Caim.)
Já vi o frente-a-frente José Saramago - Carreira das Neves.
E tirei as minhas notas.

Deus filho da p...

Não sabia que no livro se dizia que Deus era um filho da ....
Carreira das Neves, que leu o livro "com agrado", naturalmente nao gostou dessa parte.
José Saramago reconheceu que se tinha "excedido".

Alguns excertos do debate

Acreditar em Deus?

José Saramago:
- Não, mesmo que me esforce.
É uma impossibilidade.
Não sou capaz de imaginar.
Depois de ter criado o Universo e de ter descansado ao sétimo dia (Deus) continuou a descansar até hoje.
Há poucas esperanças de conhecer Deus, supondo que ele existe...
A verdade é que a única ocupação de Deus, que nós saibamos, foi fazer o Universo (segundo a Bíblia).
Antes não consta que tenha feito algo, e depois, somos testemunhas, pela história, de que não fez grande coisa, ou não fez nada.
(...) provavelmente, Deus se existisse teriamos que dizer, eu seria o primeiro, que não tenho nenhuma culpa daquilo que se passa.

Sobre a Bíblia

CN: - São imagens, personagens criadas...
JS: - Quem é que vos autorizou a mudar o que está escrito e a sobrepôr outra coisa?
CN: - Não é mudar... [Na Bíblia há] criações literárias para resolver problemas teológicos.
Só assim se compreende o mundo de Deus.
Não se entende o mundo de Deus pela filosofia, pela metafísica.
JS: - Mas a Igreja não sabe nada de Deus?
CN: - Deus vem pelo coração e não pela razão. Deus está por cima da razão, mas não é irracional.
JS: - Como é que o sabe?
CN: - Porque eu acredito. (...) Ninguém, é capaz de falar da existência de Deus à luz das ciências. Mas também ninguem é capaz de dizer que Deus não existe, à luz das ciências.

Sobre a renúncia à nacionalidade portuguesa

JS:
- O único pecado grave que tenho foi ter pensado que no futuro Portugal pode unir-se a Espanha. Que eu tivesse alguma vez dito que renunciava à nacionalidade portuguesa é falso como Judas. Nunca tais palavras me sairam da boca.

Direito à dissidência e à heresia

JS: - Na Declaração Universal dos Direitos do Homem faltam dois direitos: um é o direito à dissidência e o outro o direito á heresia.
CN: - Não há direito à heresia para si.
Você não acredita em Deus, não é heresia.
Você pode escrever o que quiser.
Heresia seria para mim

Comentário final:

O que mais me surpreendeu foi a insistência do padre Carreira das Neves que a Bíblia não pode ser lida literalmente. Que está cheia de imagens e de criações literárias.
Parece que a cada monstruosidade que surge na Bíblia se procura justificar como se tratasse apenas de uma imagem e de uma criação literária.
Se é assim, é a própria Igreja a minguar o real valor da Bíblia e não o herege Saramago.
Para criações literárias temos os escritores de ficção, como Saramago.
Não estava à espera que me viessem dizer que a Bíblia está cheia de criações literárias e imagens. Que, pelos vistos só nos levam a interpretar mal a mensagem da Bíblia !?
Por mim quero acreditar em Deus.
Dá-me jeito.
Como me considero uma pessoa minimamente honesta e cumpridora dos deveres, conforta-me a ideia de que, num outro tempo e lugar, serei eventualmente recompensado e não castigado por isso.
E que os "maus" irão todos pagar pelos seus "pecados".
Mas as dúvidas de Saramago são mais que legítimas.
E só vieram inquietar-me ainda mais.
Estava à espera que o padre o contrariasse com argumentos mais sólidos.
Mas não foi assim, e as minhas dúvidas aumentaram ainda mais.
O reconhecimento de que a Igreja nunca foi muito entusiasta da leitura da Bíblia fora da liturgia
é "mortal".
Deus me perdoe.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

6ª, SIC, 20h00, o "combate bíblico"...

... entre José Saramago e o padre Carreira das Neves (teólogo que é considerado o maior estudioso português da Bíblia), num frente-a-frente moderado por Mário Crespo.
Para aguçar o apetite recordem as afirmações de ambos:

José Saramago:

"Sou ateu e sinto-me incapaz, mesmo fazendo um esforço mental, de acreditar em Deus, de me aproximar dessa sensação".
"Nunca tive qualquer dúvida sobre as consequências enormemente negativas e nefastas da existência das religiões, que inevitavelmente se opõem umas às outras".
"Matar, matar, matar. Foi isso que fizeram ao longo da história e não há nada a acrescentar ao seu historial sangrento".
"Ainda que não seja crente, a religião está no ar, respiramo-la. Não se pode ignorar".
"Até um livro sagrado como a Bíblia permite - e exige - que tentemos lê-lo por outro lado. E esse outro lado sempre rectifica as ideias que temos, assim como confirma outras".

"Nós, os homens, criamos Deus à nossa imagem e semelhança, não ao contrário. Por isso é tão cruel, má pessoa e vingativo. Deus e o demónio não estão no céu nem no inferno, estão na nossa cabeça. Primeiro criamos Deus e logo nos escravizamos a ele".

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" (...) "Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência na nossa cultura e até na nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores".
"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o seu absoluto cinismo intelectual".
"As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder".

"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências também sabemos que sim, ódios velhos também sabemos que sim".
"Sou uma pessoa que desperta anticorpos em muitas pessoas, mas não me importo com isso, faço o meu trabalho".
"É quase um milagre que certos sectores tenham conseguido dizer tanto em relação a um livro [Caim] que não leram".

[Na Bíblia] "há crueldade, há incestos, há violência de todo o tipo, há carnificinas. Isto é indesmentível".
*************************
Carreira das Neves:

[Saramago] "escolheu um alvo, a Bíblia, não parando para pensar nos milhões de cristãos e católicos que ofende e maltrata".

"Saramago é um Gato Fedorento a brincar com a Bíblia".

«Não percebo como é que um homem com a carreira que [José Saramago] tem não leia a Bíblia como literatura, como cultura, como géneros literários. Isso é que me estranha muito, uma vez que a Bíblia começa por ser literatura, antes de ser fé, comunidade, religião, igreja».

«Porque é que ele não vê que há milhões de católicos, protestantes, ordoxos, a lerem a Bíblia, e não somos parvos, ou será que somos todos parvos?»
«José Saramago é excepcional como escritor. Para mim o José Saramago é um génio, agora se ele ultimamente anda a chatear a Igreja Católica, eu não percebo, na minha perspectiva ele é que está a perder».

«Estou a ler o livro dele e já vou a metade. Lê-se muito bem».
"Ele inventa o Adão, e a Eva e o Caim e o Abel à maneira dele. Pode fazer aquilo que ele quiser porque diz que aquilo é um romance» (...)«Não sei classificar. Para mim é uma sátira».

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

José Saramago e José Mourinho: quando a arrogância é permitida


Detesto pessoas convencidas e arrogantes.
Dizem que José Saramago e José Mourinho são convencidos e arrogantes.
E no entanto eu não os detesto. Admiro-os!
Será porque são bons naquilo que fazem?
Acho que é por isso mesmo.
É que na verdade o que detesto mesmo são pessoas pequeninas e insignificantes que apesar da sua pequenez e insignificância... são convencidas e arrogantes.
Os nossos Josés têm motivos de sobra para se excederem por vezes.
Não vou crucificá-los por isso. A um génio tudo se perdoa. E eles são ambos "especiais".
Em vez de me envergonhar, como o outro (como é que ele se chama mesmo?) eu tenho orgulho em ser português e compatriota de Saramago (e de Mourinho, já agora). Mesmo que por vezes possa pensar também que eles exageraram. Eles podem. A matilha que lhes ladra ao caminho não tem pedigree para isso. Cresçam e apareçam. Até lá não façam como o eurodeputado (como é mesmo o seu nome?), reduzam-se à sua insignificância.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Olha o aprendiz de Sousa Lara (*)

Euro-deputado do PSD Mário David exorta Saramago a renunciar à cidadania portuguesa

Sousa Lara, que em 1992 era Subsecretário de Estado da Cultura, vetou o romance de José Saramago "Evangelho segundo Jesus Cristo" da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu.
Lara alegou que "a obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os."

Saramago é um Caim (*) ?



O livro Caim de Saramago e as suas declarações e entrevistas fizeram cair o Carmo e a Trindade. Até o Vaticano já entrou no barulho.
A minha reacção imediata seria a de ajoelhar e comungar da berraria geral que quer crucificar o velho e blasfemo escritor.
Mas ao ler Ferreira Fernandes, hoje no DN, voltam-me as dúvidas.
Saramago é mesmo um Caim (*) ou tem razão quando diz que "bom seria acabar com todas as religiões" ?
É que, se pensarmos bem, se colocarmos nos pratos da balança o bem e o mal das religiões talvez tenhamos alguma "surpresa".
Atire a primeira pedra quem não encontra em todas as religiões algumas pedradas bem mais feias.

(*) Em alguns locais da ilha do Pico, Caim era sinónimo de diabo, demónio.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Oh diabo :)



"Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros- uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus."Pilar del Rio