Cunha de Oliveira (à direita) de Artur Lima (Foto Diário Insular)
Cunha de Oliveira é socialista.
E é o mandatário da candidatura do centrista Artur Lima à Câmara de Angra.
Ninguém (que eu tivesse dado conta) pareceu ligar muito a isso.
Cunha de Oliveira, socialista, diz que o poder subiu à cabeça dos governantes socialistas nos Açores e que a Região vive em “ditadura democrática”.
Mais uma vez ninguém pareceu ligar muito a isso.
(Talvez porque já o tivesse dito, por acaso numa altura em que achei que era de realçar esse facto e fi-lo
aqui neste blog).
Para quem não percebeu na altura, Cunha de Oliveira explica de novo o que quer dizer com "ditadura democrática":
"Democrática porque é resultado de eleições, mas ditadura porque, diga você o que disser, eu é que posso, eu é que mando, eu é que decido. Seja bem ou seja mal. Isso é que é ditadura. Quando se tem essa noção, e tem-se essa noção, está-se numa ditadura”.
E Cunha de Oliveira atira os foguetes e junta as canas:
-“Porque é que um tipo destes, que é socialista, já foi deputado ao Parlamento Europeu na lista do PS, que já serviu na Câmara, por dois mandatos, no PS, um deles como presidente do grupo parlamentar, outro como presidente da Assembleia Municipal, aceita ser mandatário de uma lista do CDS/PP?”
- “Por duas razões, pela cidade de Angra do Heroísmo e pelo cidadão Artur Lima”.
Eu sinceramente não percebo como é que o cidadão Cunha de Oliveira diz o que diz dos seus camaradas e estes ficam impávidos e serenos.
Se fosse Manuel Alegre a dizer semelhante coisa caía o Carmo e a Trindade e vinham logo todos
gritar que o poeta estava com esclerose.
Mas por cá parece normal que um "histórico" militante socialista diga que se vive em "ditadura democrática".
Ficaram, todos a assobiar para o lado.
Até Carlos César, que preferiu uma vez mais fazer recurso à sua falta de chá e dizer,com todas as letras,aquilo que podia pensar mas não deveria dizer: Que é uma estupidez não votar.
Assim vai mesmo captar muitas simpatias junto dos abstencionistas. Já se sabe.
Às vezes apetece dizer como as crianças:"Quem diz é que é".