quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Móquenas"


Na caixa do hipermercado, a menina dava voltas e voltas à folha.
E não havia maneira de encontrar o código para o produto.
- Não vejo aqui móquenas...
- Experimente a ver nêsperas.
- Ah, tá aqui...Eu conheço é por móquenas...
Só em S.Miguel ouvi chamarem móquenas às nêsperas.
E nunca percebi de onde raio vinha o nome.
Hoje decidi "investigar".
E descobri.
Descobri que mónica é um açorianismo que quer dizer nêspera.
Assim é fácil concluir que móquena é a deturpação para mónica.
(Também vi escrito mocnas)
Nome comum: Nespereira, nêspera, moniqueira, mónicas, móquenas
(Mas o mapa sugere que só existe nas Flores,no Faial,em S.Miguel e Santa Maria.
Acho que há em todas as ilhas dos Açores.Pelo menos no Pico há imensas.)

Veja ainda:
E já agora não seja "nêspera" :)

RIFÃO QUOTIDIANO
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
(Mário Henrique Leiria)

Jornal do Incrível


- Escreve aí, vá "É muito feio enganar as pessoas. Pior ainda se forem crianças".
Isso.
Muito bem.
Linda menina.
E não te esqueças de votar no PS, tá bem?

PS usou em tempo de antena imagens de crianças com o Magalhães pedidas pelo Ministério da Educação (Público)

Liberdades


Foto Açoriano Oriental

No dia 25 de Abril, Natalino Viveiros sentenciava no Editorial do Correio dos Açores:
A liberdade está ferida de morte
"A liberdade está ferida de morte porque a rede montada pelo sistema não permite a livre expressão. Actua movido pelos interesses políticos ou económicos que defende e atrofia a liberdade dos outros em benefício da sua própria liberdade. Quem comanda não quer ser incomodado e tudo faz para condicionar a liberdade dos que podem ser incómodos. Com a democracia como está, com a justiça transformada num palco onde se digladiam o poder político com o poder judicial a liberdade está amordaçada.
(...) É preciso regenerar o vinte e cinco de Abril, mesmo que para isso seja necessário repetir a revolução dos cravos. "



Carlos César não gostou, e de cravo ao peito, respondeu assim:
“Ainda hoje vi um título de um órgão da imprensa regional dizendo que a Liberdade estava ferida de morte. A Liberdade está tão viva e tão pujante que é possível ter títulos destes sem o editorialista ir para à prisão” .

Foto GACS

Na resposta, Natalino Viveiros escreve de novo no Correio dos Açores:
Liberdade está ferida…mas não morreu



"O que disse o Presidente do Governo é grave, não pelo ataque que faz, mas pelo pensamento que revela. O Presidente fala do título e não do conteúdo ou da reflexão em si. Se não fala do conteúdo é porque não leu, ou se leu concorda com ele. Se leu apenas o título e a partir daí disse o que disse, então manifesta uma ligeireza na análise não condizente com a responsabilidade da função. Pensar-se que o título do editorial do Correio dos Açores é matéria de ir parar à prisão é uma atitude própria do pensamento totalitário que o 25 de Abril de 1974 matou e que o 25 de Novembro de 75 enterrou. Prezamos acima de tudo a liberdade e por ela nos batemos. Arrisquei a minha vida e a vida da minha família, com duas bombas em casa que me destruíram bens e haveres, mas nunca verguei perante as ameaças e as intimidações. Nunca andei, em nome da revolução de braço dado com aqueles que queriam uma revolução totalitária. Nunca desfilei pelas ruas a pedir a prisão de concidadãos meus por pensarem ou por defenderem projectos políticos diferentes daquele que defendia e defendo. Sempre convivi e trabalhei com pessoas que politicamente pensavam de forma diferente da minha e nunca me dei mal porque por isso, pois só enriquecia o meu trabalho. Ninguém é detentor único da verdade e quem pensa que é dono dela há-de provar depois o travo amargo do seu engano. A liberdade só é liberdade quando se respeita a liberdade dos outros. Quando se pensa na prisão por livremente se pensar, a liberdade está ferida de morte. Bem alto dizemos o que disse o poeta Adriano Correia de Oliveira: Não há machado que corte a raiz ao pensamento".

terça-feira, 28 de abril de 2009

Zapping

Cão que ladra...

"Estava José Sócrates numa situação pública quando uma jornalista se aproximou: "Posso?", disse ela. Respondeu Sócrates: "Claro, eu não mordo." E ela: "Não morde, mas rosna. E às vezes rosna muito."
A história foi contada, no domingo, pelo jornal Público. Temos, assim, que uma jornalista, no exercício das suas funções, disse a alguém sobre quem escrevia: "Você rosna." Tenho a dizer o seguinte: está tudo maluco. Ao almirante Pinheiro de Azevedo irritava-o ser sequestrado; a mim é mais conversas parvas."

Ferreira Fernandes (DN)

... também morde

"Em Janeiro, a propósito da entrevista à SIC, critiquei aqui Ricardo Costa pela agressividade excessiva e gratuita em relação ao chefe do Governo. Digo agora que, pela forma agreste e inconveniente como foi tratada pelo primeiro-ministro na entrevista desta semana à RTP, quem tinha boas razões para se ter levantado da cadeira era Judite de Sousa. Talvez julgando que não, José Sócrates apenas se diminui quando se põe a discutir perguntas, ou a questionar as motivações de quem as faz. Na prática, comete o mesmo erro dos tais jornalistas, porventura demasiado próximos no passado, para quem uma entrevista do primeiro-ministro tem que ser um combate de boxe. E - o que é pior - um combate entre iguais".
Fernando Madrinha (Expresso)

Não foi o "ami" Sarkozy que denegriu os líderes europeus?

"Sucede que, como era inevitável, à implosão do comunismo, em 1989-90, seguiu-se uma nova implosão: do capitalismo financeiro-especulativo. Os anos finais de Bush representam o fim de uma era, que começou com a senhora Thatcher e o presidente Reagan e continuou com Blair, Berlusconi, Aznar e Bush pai.
A inteligência americana foi a primeira a reagir, sendo que o Iraque se tornou num novo Vietname. A cidadania global produziu um novo líder na América: Barack Obama, um afro-americano, humanista e habilíssimo político, arauto de uma nova era.
É aí que estamos. Com a União Europeia, desprovida de líderes e a reagir muito pouco e mal, na esperança de que tudo fique na mesma. Impossível! A crise global está instalada, entre nós, e para ficar, por algum tempo mais. Que fazer?"

Mário Soares (DN)

O empresário do regime

"Durante anos, mais em privado do que em público, os empresários queixavam-se do poder político. Nesta legislatura aconteceu um milagre. O poder empresarial, mais em público do que privado, adora o poder político. Para ser mais preciso, adora José Sócrates.
A paixão é tão intensa que hoje em dia já é difícil encontrar um projecto empresarial que não esteja associado ao primeiro-ministro, ou uma iniciativa governamental na esfera económica em que não seja visível algum interesse empresarial em fundo.

(...)O poder empresarial está rendido. Isto é muito melhor do que alguma vez imaginou. Um primeiro-ministro com espírito de empresário é uma dádiva dos céus. E, por isso mesmo, paga na mesma moeda. É raro o dia em que um empresário, dos que contam, claro, não aparece num jornal, ou numa televisão, para garantir aos portugueses que, sem José Sócrates, seria o caos.
O poder empresarial, o que conta para o poder político, ganhou um inesperado e super administrador executivo. Chama-se José Sócrates."

Luís Marques (Expresso)

Muito preocupante



(Diário Digital/Lusa)

Sou do Pico ... mas não pico


Vai longa a discussão à volta das touradas picadas nos Açores.
Não tenho perdido muito tempo nestas lides.
Mas parece-me que o argumento não pode ser o de que legalmente, com o novo estatuto, já podemos.
Basta querer.
Eu não creio.
Que haja assim tantos açorianos amantes das touradas picadas.
Nem que as touradas picadas sejam uma grande e antiga tradição na Região.
Quantos anos são precisos para fazer uma tradição?
Gosto pouco de touradas.
Fico-me pelas pegas de forcados.
Tudo isto para dizer que me junto aos que estão contra esse "avanço" legislativo.
Não vamos ganhar nada com isso.
Nem sequer o respeito dos outros.
E agora que já piquei o ponto recolho-me aos curros.
Boa faena.

domingo, 26 de abril de 2009

Rodolfo Vieira



(Expresso)

O Santo Guerreiro


Não perdi muito tempo a estudar o assunto. Talvez por isso continue com alguma dificuldade em perceber a santidade de Nuno Álvares Pereira, hoje proclamada pelo Papa.
Talvez recuando ao tempo das Cruzadas em que a Guerra Santa dava a sua benção para que se matassem cristãmente os infiéis?

Alberto João Jardim "preso" no 25 de Abril

Andava certamente a preparar a revolução.

Jornal do Incrível



A McDonald's vai abrir mais 175 restaurantes na China, e criar 10 mil novos postos de trabalho.

sábado, 25 de abril de 2009

Parabéns Ribeirense!





O Ribeirense da ilha do Pico venceu hoje a Taça de Portugal em voleibol feminino, derrotando o Gueifães no Pavilhão Multiusos de Baião por 3-1 (25-14; 18-25; 25-17 e 25-16)

A simbologia do cravo



Encravado

Manuel Alegre,vice-presidente da Assembleia da República recebe José Sócrates e entrega-lhe um cravo vermelho que o primeiro ministro coloca ao peito.
Achei um acto simbólico.
Foi como se um dos poucos socialistas que insiste nos valores de Abril lembrasse Sócrates que o tem de fazer também.

"Cravo vermelho ao peito a todos fica bem ..."

Na bancada do PSD apenas dois deputados se apresentam de cravo vermelho: Zita Seabra e Mota Amaral. Durante anos houve um preconceito contra os cravos vermelhos. Os partidos da direita associavam os cravos vermelhos aos "vermelhos" e fugiam desses cravos genuínos como o diabo da cruz. Ostentavam, então, púdica e envergonhadamente, uns cravos desmaiados.
Mota Amaral deixou-se dessa tolice.
Saudações democráticas.

Verdes

As pessoas não devem servir a economia.
A economia é que deve servir as pessoas.
Esta ideia defendida pelo deputado José Luís Ferreira, dos Verdes, estabelece uma diferença fundamental entre uma visão retrógrada e uma visão progressista.
Os inimigos do 25 de Abril costumam argumentar que no tempo do fascismo o país era rico e que agora estamos mais pobres. Esquecem-se do essencial: o país poderia ter alguma riqueza acumulada, mas as pessoas eram mais pobres.
E queremos voltar a esses tempos?

"Políticamente incorrectos"

Até há uns anos, as sessões comemorativas do 25 de Abril arrastavam-se
respeitosamente. Quase ninguém ousava levar à tribuna críticas directas e contundentes ao Governo em funções. Hoje assistimos à sessão mais "políticamente incorrecta" dos últimos 35 anos. Paulo Rangel do PSD terá sido o mais "incorrecto", mas não posso deixar de concordar com a sua argumentação. Um Governo em fim de mandato não deveria lançar para o futuro de décadas obras que deixam as gerações futuras hipotecadas.
Essa é também uma forma de perder a liberdade.
Capitão de Abril

Marques Júnior, deputado do PS, foi um dos capitães de Abril.
Emocionou-se no seu discurso e disse que apesar de tudo continua a rever-se no 25 de Abril quando olha para os deputados na Assembleia da República.
Da bancada do CDS-PP apenas Diogo Feyo aplaudiu.
Bonito.
Saudações democráticas.

Desrespeito ou problemas de bexiga?
Santana Lopes não assistiu a uma boa parte dos discursos.
Só se sentou no seu lugar já Paulo Rangel discursava.
Paulo Portas saiu quando Marques Júnior discursava.
Ter-se-ão cruzado a caminho do WC?

Abril


Eu gosto do 25 de Abril.
Ainda gosto do 25 de Abril.
35 anos depois.
Apesar de tudo.
Apesar do pouco.
Valeu a pena.
Mesmo que ainda falte "cumprir" Abril.
Quem põe em causa o 25 de Abril não merece a Liberdade que lhe ofereceram.
Mas quem anseia por uma verdadeira democracia também não merece esta "democracia".
É preciso um novo 25 de Abril.
(TSF)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Judite de Sousa


Foto Gonçalo Lobo Pinheiro (Olhares.com)

Judite de Sousa é hoje a jornalista que faz melhor a entrevista política em Portugal.
Ela diz à revista do DN de hoje que "Se Sócrates recusasse falar do Freeport não o entrevistava".
Outra coisa não seria de esperar.
Era só o que faltava que uma grande entrevista deixasse de fora o Freeport só porque Sócrates não gosta de falar do assunto.
Não gosta e demonstrou-o com a sua arroganciazinha costumeira.
Uma coisa é o "jornalismo" da TVI outra coisa é ignorar os temas incómodos para o PM.

"Bastidores: Guantanamo"

Numa altura em que Guantanamo continua na ordem do dia,
eis um documentário a não perder.
É de Jon Else do National Geographic e estreia domingo em Portugal.

"A revolução que falhou"


Que vamos comemorar no sábado?
O "dia inicial inteiro e limpo" [Sophia de Mello Breyner]?
Mas que resta desse dia?
As ruínas de uma história que se perdeu nela própria.
(...)
Ocultamos a dor do que perdemos, é isso.

(...)
Sabe-se quem travou a marcha ruidosa e feliz.
Conhece-se os nomes daqueles que, na sombra e no silêncio, isolaram e subjugaram, de novo, as nossas emoções.
"Acabou a tua festa, pá!", cantou Chico Buarque de Holanda.
O epitáfio definia o cansaço e a derrota.
Aí estão as sobras demoradas da nossa juventude.
Aí está o refugo de um sonho que tinha a dimensão do homem.
Afinal, vamos comemorar a nostalgia.



Baptista-Bastos

(Crónica, na íntegra, no DN)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

No Dia do Livro


"O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê"
Umberto Eco


Tenho muitos livros que não sei se chegarei a ler.

Não serão todos fantásticos.

Mas tenho a certeza que deixarei alguns por ler.

E incomoda-me pensar nisso.

E apesar disso, acho que também tenho de escrever um livro.

Que alguns (poucos) hão-de ler.

E muitos outros ignorar.

A parte da árvore e do filho já está.

Falta o livro.

Um dia ... escrevo um livro :)