domingo, 1 de novembro de 2009

Braga por um canudo


Paulo César festeja o 2º golo do Braga enquanto Máxi Pereira esboça um sorriso amarelo.

O Braga ganhou e nos próximos dias vai falar-se até à exaustão de um golo anulado ao Benfica.
(Cardozo fez falta sobre um defesa do Braga).
Na generalidade das vezes os árbitros (mal) não marcam estas faltas atacantes.
Desta feita o árbitro marcou, cumprindo a lei, por mais desagradável que seja para o Benfica.
É sintomático que um dos árbitros do "Tribunal" de O Jogo (todos consideraram certa a decisão de Jorge Sousa) ache que foi falta, mas acrescente que os árbitros nao costumam marcar !?
Se é assim, e é, o Benfica foi indirectamente prejudicado. Não ontem, mas nos jogos em que os seus adversários directos cometerem faltas idênticas sem que os árbitros as sancionem.
O mais grave nas arbitragens não são os erros, que hão-de ocorrer enquanto houver futebol.
O mais grave são os diferentes critérios. No caso dos cartões amarelos então é uma barbaridade.

P.S. Mas também há boas notícias para o Benfica. Aimar não será suspenso pela simulação de um penalty no jogo com o Nacional. Pelo menos é o que diz A Bola.

Obituário


Morreu António Sérgio, o "mestre" da rádio.
Tinha 59 anos, mais de 40 passados na rádio.

O público merece um Público melhor

O Público renasce hoje, sob a direcção de Bárbara Reis.No editorial, sob o título "Um novo começo" , Bárbara Reis assume claramente uma ruptura com a linha que o jornal veio a seguir nos últimos tempos.
Diz Bárbara Reis:
"Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia."
Por mim só faltou dizer que o Público nao servirá também as oposições contra determinados governos.
Por mim não me interessam jornais que atacam ou defendem sistematicamente os governos ou as oposições.
Para isso tenho os sites governamentais e partidários com a sua propaganda.
De um jornal "de referência" procuro uma leitura distanciada.

sábado, 31 de outubro de 2009

Ontem já era tarde



Pelas trapalhadas recentes em que se meteu, e meteu o jornal, é caso para dizer que "ontem já era tarde".

Fala quem sabe



Foi neste Obama que "votei"


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Como acabar com as "más línguas"


Carlos César não gostou do "estrelato televisivo" de Mário Freitas, Delegado de Saúde de S.Miguel, e calou-o.
Não o demitiu ... demitindo-o. Acabou com o cargo de Delegado de Saúde de ilha e criou, à pressa, uma coisa chamada " Coordenador Regional de Saúde Pública.
Depois desta demissão, a que é "obrigado" pela legislação que mandou aprovar, César tem pela frente mais um problema.
Depois das declarações de Eduardo Pacheco, da Ordem dos Médicos (aqui) tem o presidente do Governo alguma margem de manobra para mandá-lo calar também?
Como ? Acabando com a Ordem dos Médicos?

Capacidade de adaptação


No PSD cresce dia-a-dia o movimento que quer empurrar de novo Marcelo para a liderança.
Ele é um excelente comentador.
Mas falar sempre foi mais fácil que fazer.
Ele já foi líder do PSD, não foi? Correu mal. Mas agora é que é?
Todos têm de se adaptar a novas circunstâncias.
Todos têm de estar atentos a novas marés e novas oportunidades.
Continuo na minha: Marcelo é um excelente comunicador.
Mas essa não será certamente a qualidade que mais se exige a um líder.
(Cavaco tropeça na língua de forma angustiante e chegou a Primeiro Ministro e a Presidente da República).
Duvido que Marcelo seja o homem "certo" para transformar de novo o PSD num partido e não numa manta de retalhos.
Digo eu.
Que gosto muito de falar.
Mas falar é fácil.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Paulus é meu !


Jorge Paulus Bruno, social democrata, já foi Director Regional da Cultura nos tempos de Mota Amaral. Agora vai ser de novo. Convidado por um Governo PS.
Berta Cabral aproveitou para dar a sua alfinetada. E justificava-se.
O Governo do PS tem recorrido com alguma frequência a figuras do PSD (o caso mais recente foi o de Álvaro Dâmaso à frente da APIA).
Berta disse que o PSD não se importava de ajudar o PS mas que queria os seus militantes de volta quando ganhasse as eleições em 2012.
Em suma, "emprestava" o Paulus até 2012.
Pareceu-me que o disse com algum humor e ironia.
Mas César não gostou e reagiu com dureza.
Demasiada dureza, na minha opinião.
Não se justificava.
( "Berta Cabral revela graves carências na sua formação democrática e uma grande arrogância, pretendendo dispôr da vida e das convicções das pessoas".)
Depois veio Clélio Menezes acusar César de nos seus tempos de oposição ser trauliteiro e de agora lhe estalar o verniz de vez em quando.
Não se justificava.
E de novo César a dizer que Berta Cabral falou como se o PSD pudesse ser proprietário das pessoas.
E,dando razão a Clélio Menezes, voltou a estalar o verniz quando interrogado sobre o seu tabuzinho (candidata-se ou não em 2012).
Respondeu César:
"Eu sei que isso exercita muito a vossa imaginação e preocupa muito o PSD..."
Não se justificava.
É preciso ter muita imaginação (ou pouca?) para arranjar nesta nomeação tanta polemicazinha.
E tanto que há para fazer.

Overdose


Ia dizer "acabo de ver"...mas os minutos passam e continuo a ver no Telejornal uma catrefada de "notícias" sobre a gripe A. (Já contei oito...e um directo!?).A quinta reportagem foi sobre a primeira morte ocorrida nos Açores.
Agora aparece Sócrates.
Diz que vai ser vacinado.
Agora são os deputados.
Uns que sim outros que não.
Já não se pode.
Ah...acabou.
Agora fala-se da cimeira dos 27.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Carregadinho de razão


"Carlos César acrescenta muito ao Partido Socialista.
E vou-lhe dar um exemplo prático, que são as europeias.
Quando Carlos César não fez campanha - ele próprio -
e esteve ausente da Região, os senhores levaram uma derrota colossal.
Sabe porquê? Porque os senhores não têm credibilidade.
Sabe porquê? Porque o Partido Socialista vale 20 ou 25%
e os outros 20% vale carlos César".
Artur Lima, CDS-PP, dirigindo-se à bancada do PS na Assembleia Regional.

Jornal do Incrível

Só o título do Público já arrepia

Portugueses escravizados, roubados e acorrentados em quintas de Espanha

e a gente pensa logo em como é possível que nuestros hermanos nos façam isto.
Mas quando se lê a notícia com mais atenção ficamos a saber que

"Os carcereiros deste grupo ainda incontável de escravos (...) são três portugueses: pai, mãe e filho."

Carregadinho de razão

Alberto Costa: "O populismo ameaça a direita e a esquerda"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Obscenidades


Brandão Ferreira, no livro Em Nome da Pátria, a ser lançado 4ª feira.

Isto não vai dar certo!

Ainda agora o Governo toma posse e já os arautos da desgraça dizem que "isto não vai dar certo". Este é um defeito bem português: falar antes do tempo. Geralmente para deitar abaixo. Que diabo, dêem o benefício da dúvida a essa gente. Uns mesitos pelo menos.

Acho que vou sugerir esta mania dos portugueses para o António Costa Santos incluir numa versão revista e aumentada do seu delicioso livrinho "10 razões para amar e odiar Portugal" (Editora Guerra e Paz).

Para ele as 10 razões para amar Portugal são

1.O país dos queixumes (a doença mínima garantida)

2. A falta de auto-estima (lá fora é que é)

3.O desinteresse pela cidadania (o Estado sao eles)

4.A resistência à mudança (não fossem mexer na Lua!)

5.A mania dos doutores (é a terra da mula ruça)

6.O caciquismo (ordens são ordens)

7.A burocracia (e se eu pagar urgência?)

8.O desprezo pelo rigor (para quem é bacalhau basta)

9.A inveja por desporto (olha a grande avaria!)

10. A impunidade da incúria (foi azar, paciência!)

e as 10 razões para amar Portugal

1.A tolerância e a delicadeza (dá-se um jeitinho)

2.O desenrascanço (não há problema!)

3.O voluntarismo (acho eu de que!)

4.O verbo arranjar (onde foi que arranjaste?)

5.A língua-pátria (o Camões é do caraças!)

6.A inocência (não acreditas?)

7.Hospitalidade e generosidade (não faça cerimónia!)

8.As nossa crianças (Ó menino, sai da chuva!)

9.Os comes e bebes (bebe-me aí essa pomada com o cozido!)

10.A paixão pelos versos (Ó Lua,que vais tão alta)

domingo, 25 de outubro de 2009

Um Pulido nada polido


Vasco Pulido Valente, Público
P.S. Estou para conhecer alguém mais azedo e insuportável que este frustrado. Um pobre coitado que não chega aos calcanhares de Saramago. Mesmo que o despreze desta forma abjecta.

Mais achas para a fogueira


José Saramago dá hoje mais uma entrevista, ao DN Artes, sobre a polémica em que está envolvido depois da publicação de Caim.
A entrevista é longa. As passagens para mim mais significativas foram estas:

As Cruzadas foram qualquer coisa que a Igreja devia pedir perdão! As Cruzadas, imediatamente idealizadas com esse absurdo de avançarem contra os inimigos aos gritos. Que sabem eles de Deus? Fiz essa pergunta a um teólogo há pouco tempo: o que é que sabem de Deus, afinal de contas? Não sabem nada, alguém um dia disse que Deus existe e depois os teólogos não têm feito outra coisa senão armar o andaime para que essa ideia se sustenha.

O facto religioso está aí, não se pode nada contra ele, e quando digo "acabar com as religiões", sou perfeitamente consciente de que isso não é possível. Mas a minha pergunta é esta: se crêem em Deus, crêem em um Deus. Portanto, até mesmo por respeito a ele, porque não se põem de acordo sobre uma palavra, simplesmente: paz? Paz entre as religiões.

(...) a confederação ibérica foi defendida no séc. XIX por muito boa gente como, por exemplo, Antero de Quental.

- Acha que este ataque imediato da Igreja foi uma tentativa de fazer um ensaio sobre a sua "cegueira" religiosa, ao afirmarem que é um livro unilateral?
- Porque é que dizemos cegueira religiosa? É uma cegueira que impede de ver a religião ou é a religião que cega as pessoas?

Tive a ingenuidade de supor que a Igreja Católica não se ia meter nisto, porque era o Antigo Testamento. Como digo, e eles não negam e as sondagens ou inquéritos confirmam, os católicos não lêem a Bíblia.

O que é que eu disse, afinal de contas?! Que na Bíblia há violência, crueldade, incestos e carnificinas? Isso não pode ser negado. Ainda que eu tenha chamado à Bíblia um manual de maus costumes, qualquer um o podia ter feito, porque é, efectivamente, o que é. Tudo quanto é negativo no comportamento humano está ali escrito.

Não nego a possibilidade de uma leitura simbólica [da Bíblia] , ou duas, ou três, ou quatro, ou cinco ou as que quiserem. Mas que as leituras simbólicas e o trabalho da exegese não sirva para fazer de conta que a letra não existe.

Logo na manhã seguinte já estavam todos alvoroçados a atacar-me! Apesar de terem uma experiência de séculos, podiam ser um pouco mais prudentes, mas são como os cãezinhos de Pavlov, reagem imediatamente ao estímulo. É lamentável.

Há que dizer que não invento nada, limito-me a levantar as pedras e ver o que está debaixo. Se acho que uma pedra merecia ser levantada, é, justamente, a do assassínio de Abel. E fi-lo.

(...) eu digo que Deus não é de fiar. O que é que se pode dizer de um Deus que depois de ter prometido a Abraão que se houvesse dez inocentes em Sodoma não queimaria a cidade e a queima? Podemos ter a certeza, qualquer um de nós, pobres seres humanos, que sabia - sem ir contar os inocentes - que havia inocentes: as crianças. Queimadas como os seus pais e mães, e tudo mais. O que é isso? Prometer e não cumprir?

sábado, 24 de outubro de 2009

O padre e o herege


(Nota prèvia: Não li a Bíblia. Não li Caim.)
Já vi o frente-a-frente José Saramago - Carreira das Neves.
E tirei as minhas notas.

Deus filho da p...

Não sabia que no livro se dizia que Deus era um filho da ....
Carreira das Neves, que leu o livro "com agrado", naturalmente nao gostou dessa parte.
José Saramago reconheceu que se tinha "excedido".

Alguns excertos do debate

Acreditar em Deus?

José Saramago:
- Não, mesmo que me esforce.
É uma impossibilidade.
Não sou capaz de imaginar.
Depois de ter criado o Universo e de ter descansado ao sétimo dia (Deus) continuou a descansar até hoje.
Há poucas esperanças de conhecer Deus, supondo que ele existe...
A verdade é que a única ocupação de Deus, que nós saibamos, foi fazer o Universo (segundo a Bíblia).
Antes não consta que tenha feito algo, e depois, somos testemunhas, pela história, de que não fez grande coisa, ou não fez nada.
(...) provavelmente, Deus se existisse teriamos que dizer, eu seria o primeiro, que não tenho nenhuma culpa daquilo que se passa.

Sobre a Bíblia

CN: - São imagens, personagens criadas...
JS: - Quem é que vos autorizou a mudar o que está escrito e a sobrepôr outra coisa?
CN: - Não é mudar... [Na Bíblia há] criações literárias para resolver problemas teológicos.
Só assim se compreende o mundo de Deus.
Não se entende o mundo de Deus pela filosofia, pela metafísica.
JS: - Mas a Igreja não sabe nada de Deus?
CN: - Deus vem pelo coração e não pela razão. Deus está por cima da razão, mas não é irracional.
JS: - Como é que o sabe?
CN: - Porque eu acredito. (...) Ninguém, é capaz de falar da existência de Deus à luz das ciências. Mas também ninguem é capaz de dizer que Deus não existe, à luz das ciências.

Sobre a renúncia à nacionalidade portuguesa

JS:
- O único pecado grave que tenho foi ter pensado que no futuro Portugal pode unir-se a Espanha. Que eu tivesse alguma vez dito que renunciava à nacionalidade portuguesa é falso como Judas. Nunca tais palavras me sairam da boca.

Direito à dissidência e à heresia

JS: - Na Declaração Universal dos Direitos do Homem faltam dois direitos: um é o direito à dissidência e o outro o direito á heresia.
CN: - Não há direito à heresia para si.
Você não acredita em Deus, não é heresia.
Você pode escrever o que quiser.
Heresia seria para mim

Comentário final:

O que mais me surpreendeu foi a insistência do padre Carreira das Neves que a Bíblia não pode ser lida literalmente. Que está cheia de imagens e de criações literárias.
Parece que a cada monstruosidade que surge na Bíblia se procura justificar como se tratasse apenas de uma imagem e de uma criação literária.
Se é assim, é a própria Igreja a minguar o real valor da Bíblia e não o herege Saramago.
Para criações literárias temos os escritores de ficção, como Saramago.
Não estava à espera que me viessem dizer que a Bíblia está cheia de criações literárias e imagens. Que, pelos vistos só nos levam a interpretar mal a mensagem da Bíblia !?
Por mim quero acreditar em Deus.
Dá-me jeito.
Como me considero uma pessoa minimamente honesta e cumpridora dos deveres, conforta-me a ideia de que, num outro tempo e lugar, serei eventualmente recompensado e não castigado por isso.
E que os "maus" irão todos pagar pelos seus "pecados".
Mas as dúvidas de Saramago são mais que legítimas.
E só vieram inquietar-me ainda mais.
Estava à espera que o padre o contrariasse com argumentos mais sólidos.
Mas não foi assim, e as minhas dúvidas aumentaram ainda mais.
O reconhecimento de que a Igreja nunca foi muito entusiasta da leitura da Bíblia fora da liturgia
é "mortal".
Deus me perdoe.

A nossa ministra é linda ! :)