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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Montanha do Pico: preservar ou estragar ? (2)


Afinal a montanha poderá parir ... um ratinho.
Os jornais do Pico referem-se hoje à actividade promovida pelo Epicentro.
O Ilha Maior continua a referir a meta das 600 pessoas, mas o Jornal do Pico, que entrevistou a coordenadora técnica do projecto, diz que afinal se prevê uma afluência "na ordem de mais de cem participantes".
Não sabendo o que é uma afluência "na ordem de mais de cem participantes" (101? 199?) deduzo que não sejam mais de duzentos.
Pois nesse caso diriam "na ordem de mais de 200"!?
Seja como for, isto é bem mais tranquilizador.E se for mesmo só assim será afinal um dia perfeitamente normal nas escaladas à montanha do Pico.
No Ilha Maior leio algo bem mais amigo do ambiente e interessante.
O alpinista açoriano Luís Lourenço propõe-se colocar a bandeira dos Açores nos picos mais altos de cada continente. Com uma excepção no início e fim: a montanha do Pico, a mais alta de Portugal. O projecto arranca em Setembro e deve terminar em Junho de 2011.
Não deixa de ser interessante, ainda mais numa altura em que muitos se preocupam em não deixar subir a bandeira dos Açores. :)

P.S. Já estiveram em cima do Pico mais de 600 pessoas de uma vez só. Foi em 1954, quando foi celebrada uma missa na cratera.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Montanha do Pico: preservar ou estragar ?

É já no próximo Sábado, dia 22, que a organização do Epicentro - Festival de Actividades quer levar 600 pessoas a subir a montanha do Pico. Em simultâneo !?
Li a notícia a 1 de Agosto no suplemento Fugas do jornal Público.
E logo se me "arrepiaram os ossos".
600 pessoas de uma vez só na montanha do Pico?
"Está tudo doido ?" Pensei na altura. E agora reforço a minha ideia.
Então não é que esta actividade de "defesa da natureza" tem o apoio do Governo Regional ?
E mais grave ainda: o Governo Regional fez aprovar um regulamento que, muito sensatamente, impõe restrições, inclusive no número de visitantes da montanha em simultâneo.
("A capacidade de carga máxima para o percurso é de 160 visitantes em simultâneo" )
Quer dizer, uma coisa que aparece travestida de "actividade de natureza", supostamente com intuitos de sensibilização ambiental e de preservação do nosso património, acaba por promover uma actividade que, em última análise, pode ajudar a degradar, ainda mais, a montanha do Pico, sobretudo o piquinho.
Já imaginaram 600 pessoas em cima do Pico, de uma vez só? E se forem 600 vão todos subir o piquinho? Ou vai haver um sorteio?
Reparem nas fotos abaixo (cliquem para ampliar).



Nas fotos podem ver-se várias pessoas a escalar o piquinho.
Quantas? Duas dezenas talvez. No máximo.
Agora imaginem se forem muitas mais.
Para além do perigo para a integridade física de algumas dessas pessoas.
De 1 de Agosto até agora esperei que alguém dissesse alguma coisa sobre este disparate.
Não li, nem ouvi ninguém,embora possa ter-me passado ao lado alguma opinião que procurasse
chamar esta gente à razão, explicando a estes crânios, a estes ambientalistas de fim-de-semana, que esta actividade de "defesa da natureza" terá muito mais de negativo do que positivo para a montanha do Pico.

Sou natural do Pico. Já subi várias vezes a montanha. Conheço-a bem.
E conheço pessoas que a conhecem muitíssimo bem.
E que também acham que este é um enorme disparate.
Ainda maior que a montanha do Pico.

Lamentavelmente o Governo Regional dá mais um sinal de total desorientação em termos de defesa ambiental.
É muito grave que o Governo Regional patrocine uma actividade desta natureza, que fará muito pouco em defesa da Natureza, antes pelo contrário.
Termino como comecei: Está tudo doido!