Paciência.
Foi esta a primeira palavra de português que um alemão que veio residir para o Pico aprendeu.
E porquê? Porque era uma das palavras que ele mais ouvia às gentes do Pico. Sinal da sua resignação perante as contrariedades da vida, sobretudo quando não passava lancha ou avião, devido às más condições atmosféricas. Paciência, diziam as pessoas. Pacientemente. Resignadamente.
Não há mal nenhum em sermos resignados perante aquilo que não controlamos. É até um comportamento inteligente. Vamos todos morrer um dia. Paciência.
Mas já me preocupa a resignação perante outras situações. Perante as injustiças.
Há tempos argumentava com um picoense* , residente, que era inadmissível o que se passava com o impasse no abastecimento de combustível aos aviões no Pico, com os problemas por demais conhecidos. E ele, resignadamente, dizia: Paciência.
Ha dias em discussão, acalorada, com um familiar insurgia-me contra o facto de continuar a morrer gente "à míngua" no Pico ** ( e em outras ilhas "pequenas") devido ao deficiente funcionamento dos serviços de saúde, e ele dizia-me: Paciência.
Entre a resignação paciente e a interpelação consciente acho que o caminho só pode ser este último. Não podemos ficar muito satisfeitos por fazermos o nosso trabalhinho de forma honesta. Temos cada vez mais de questionar o que se faz de desonesto, sobretudo com dinheiros públicos.
Já não tenho idade nem pachorra para embarcar no "não quero saber".
Cada vez mais quero saber. Dá trabalho? Pois dá, mas este mundo não é apenas de alguns. É de todos nós, e todos temos direito a querer um mundo melhor. E para isso temos de ser mais exigentes mas também mais participantes. (Esse meu familiar defendia - e acho que não estava convicto do absurdo - que o "partido" da abstenção deveria ter direito a deputados !?)
(*) Ouvi há dias, num debate transmitido numa rádio do Pico, alguém defender que quem ama verdadeiramente o Pico é "picaroto" e que os "picoenses" são assim uma coisa hibrída e insonsa, pessoas que não gostam verdadeiramente da ilha do Pico. Eu não sei se sou "picoense" ou "picaroto". Mas sei que amo o Pico e que estarei sempre disponível para o defender em todas as circunstâncias, mesmo que haja ainda uns que querem ditar que só quem vive no Pico pode defender a ilha !? Os outros não têm esse direito. E pachorra para tanta tolice?
(**) Ouvi, mas não quero crer, que recentemente morreu uma pessoa no Pico com apendicite aguda !?
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Paciência !
Publicada por
Fiat Lux
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quinta-feira, janeiro 01, 2009
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