terça-feira, 23 de junho de 2009

Baleia à vista !


A caça à baleia terminou nos Açores há mais de vinte anos.
Victor Hugo Forjaz, vulcanólogo, acha que os Açores deveriam retomar a caça à baleia.
De forma "moderada". Disse-o ao Diário Insular.
Argumenta o professor que:
1- “muitas das baleias que passam pelos Açores acabam por ser capturadas no mar da Islândia”.
2- “não existe nenhum problema para a conservação da espécie caso sejam capturados cerca de uma dúzia de exemplares por ano”.
3- seria possível retomar as actividades relacionadas a caça da baleia com o aproveitamento de infra-estruturas como a fábrica de São Roque do Pico.
4- a recuperação das actividades relacionadas com a caça à baleia na Região “teria mais interesse que o “whale wacthing” que serve apenas para enriquecer alguns”.
5- Victor Hugo Forjaz assegura que existe o comércio ilegal de marfim e osso de baleia entre a Islândia e os Açores. (“Como se explica que tendo a caça à baleia terminado há mais de duas décadas ainda sejam produzidas peças de artesanato com dentes e osso de baleia?”).
O que eu sei (ou julgo saber):
1-É possível.
2-É verdade. Sobretudo se forem machos velhos.Já muita gente o disse desde que acabou a caça.
Mas pelo facto do Japão, Noruega e Islândia continuarem a caçar baleias não justifica que a actividade seja retomada nos Açores.
3-Tenho dúvidas sobre o "aproveitamento".Acho que os produtos derivados da baleia, que na altura valiam muito, perderam entretanto valor económico. Aliás terá sido um dos argumentos
utilizados para acabar com a caça.
4-Acho que não. Hoje mesmo foram divulgados números bem sugestivos. A observação de cetáceos gerou receitas de 11,5 milhões de euros (16,1 milhões de dólares) em Portugal em 2008.
Os dados da IFAW (International Fund for Animal Welfare)apontam para um total de
158 318 observadores.
No que diz respeito aos Açores, a IFAW possui dados que remontam a 1998, ano em que registou 9 500 observadores, número que passou para 40 180, em 2008, significando um aumento de 15,5 por cento em dez anos.
Em 2008 esta actividade rendeu à Região 7,6 milhões de dólares.
Nos Açores podem ser observadas 27 espécies de cetáceos (30 por cento das existentes em todo o mundo), numa actividade que envolve 19 operadores turísticos, efectuada entre Abril e Outubro.

5- Até pode haver comércio ilegal de marfim. Mas também ainda há dentes de baleia que estavam guardados desde o tempo da caça à baleia nos Açores.

A surpreendente e polémica posição de Victor Hugo Forjaz surge numa altura em que decorre no Funchal a 61ª Reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI).Pode acompanhar o que se vai passando por lá, aqui no site da International Whaling Commission.

Para quando uma reunião da CBI nos Açores?

3 comentários:

Pedro Lopes disse...

Caro "Fiat Lux",

não li a entrevista de Victor Hugo Forjaz à qual se refere, mas também a acho surpreendente...pela negativa.

Não encontro, pelo menos nos 5 pontos que aqui destaca, razões que levem à retoma da caça à baleia nos Açores. Para mim faz parte da nossa História.

Pode conhecer a minha opinião em relação a este mesmo tema, acedendo ao Blog onde escrevo. (maquinadelavax.blogspot.com)

cumprimentos

Jordão disse...

Esse senhor de vez em quando tem dessas manias! Parece que é viciado no mediatismo e de vez em conta puff: lembrasse de dizer algo absurdo.

Lembro-me de uma vez em que ele afirmou que nos Açores iria acontecer um terramoto na terra ou no Mar. Tal afirmação teve o seguinte comentário por parte do professor João Luís Gaspar: “No ar é que não vai acontecer de certeza!”

Há discussões que nem vale a pena iniciar! Essa é uma delas!

Um abraço

geocrusoe disse...

Não sabia que a falta de atenção em que VHF tinha caído aí era já tanta, que necessitava de trilhar novos caminhos do mediatismo para olharem para ele... claro que é um discurso disparatado de quem sempre soube tirar proveito do uso que os jornais dão a quem tem capacidade de discursar e atrair a atenção dizendo coisas chocantes e por norma sem nexo.