sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sócrates e o PS: Um congresso sem espinhos?


Estou há quase uma hora a ouvi-lo.
E já não aguento mais.
O diabinho diz-me para desligar.
O anjinho diz que devo continuar esse sacrificio.


Não é fácil ouvir Sócrates.
E nao é porque "há verdades difíceis de ouvir".
Infelizmente não é por isso.
O que não é fácil de ouvir é tanta hipocrisia.
E tanta demagogia.
Sócrates, responsável pelo governo mais à direita desde o 25 de Abril, teve a lata de usar uma frase que ele não cultiva no dia-a-dia:
"O povo é quem mais ordena".
Mas usou-a fora do contexto.
Sócrates diz que o povo é quem mais ordena porque o povo é que vota e elege os seus representantes e não os jornais.
Mas depois de exercer esse seu direiro cívico o povo deve recolher-se à sua vidinha apagada
e deixar governar quem foi eleito.
À sua vontade.
Sem críticas.
Sem queixas.
Sem manifestações.
Aí o povo já não tem nada que ordenar.
Mesmo que o governo faça ao contrário das promessas que o levaram ao poder.
Estou farto também do discurso "calimero".
De coitadinho.
De vítima.
Já não há pachorra.
O primeiro ministro já deveria ter percebido que não está acima da lei e que tem de ser escrutinado e investigado como os outros.
Estou também farto do seu discurso da auto-satisfação parola.
Estou farto da sua tese de que "nós é que somos a esquerda".
E estou farto da sua voz.
É irritante.
Desligo.
Não desligo?

P.S. Como admirador de Manuel Alegre não posso deixar de lamentar que ele não esteja presente. Faz mal.

6 comentários:

Maninha disse...

sp pode atirar 1 sapato à tv :)

Fiat Lux disse...

Eu gosto muito da minha TV :)

Anónimo disse...

Ainda não nos libertamos de uma série de preconceitos abrilinos, onde democracia é tudo o que apetece, mesmo que salte por cima da vontade legitimamente expressa, por outros.
Quem ganha eleições, ainda por cima com maioria absoluta, tem legitimidade para mandar.
Com a autoridade que quem votou exige, porque democracia não significa anarquia.
O voto secreto é a voz da vontade do povo. Todos os que se dizem democratas tem a obrigação e o dever de respeitar a maioria.
Arruaças, manisfestações, vigilias e campanhas (pagas?)em orgãos de comunicação social, valem o que valem. Não devem, nem podem, sobrepor-se à vontade legitimamente escurtinada.
Se quem eleger-mos ao longo do mandato, não merecer a nossa confiança, porque não cumpriu o que prometeu ou não correspondeu às espectativas, será naturalmente penalizado no próximo escurtinio.

Tiago R. disse...

Ui! Que visão tão pobre e tão curta tem da democracia este último anónimo! A provar que há ainda mesmo muita gente que tem medo da liberdade e, sobretudo, do trabalho e responsabilidade que a democracia (a sério) traz.

Ao Fiat: Belíssimo post! Não subscrevo na íntegra, mas quase!

Anónimo disse...

Caro Tiago

Ser livre e responsável é respeitar a liberdade dos outros.
Isso é que é democracia.
A autoridade de quem manda somos nós que a conferimos através do voto.
É por isso intocável.
Ou há respeito uns pelos outros ou não há.
É assim nas democracias evoluidas.

Zé Carlos disse...

Concordo com o Fiat e com o Tiago.
Gostei do post e também tenho uma certa pena que o Manuel Alegre não tenha lá ido. Pode ser que ele lá apareça de fuga, lance as bombas e passe ao lado daqueles....militantes cegos e carneiros.